A vida continua!


Quem diria! Naquele dia, acordei ainda de madrugada, ainda era cedo. Acordei naquela nossa cama. Bem, pensando melhor, na minha cama, pois sem ti, já não é a mesma. Eu sentei-me, dei por mim a tentar convencer-me de que aquilo não tinha passado de um sonho, um pesadelo. Tentei convencer-me de que apenas tinhas abandonado a nossa cama para ires trabalhar. Procurei na tua mesinha de cabeceira, vazia e “desabitada”, para ver se tinhas deixado alguma coisa, um bilhete talvez, ou uma mensagem no meu telemóvel, mas nada, nenhum bilhete, nenhuma mensagem. Comecei a tomar consciência da realidade. Foi nesse momento que decidi levantar-me, com um pouco de esperança ainda, dirigi-me para a casa de banho, mas quando lá cheguei, nada de perfumes teus, nada de roupa caída no chão ao pé da banheira, como era habitual. Nada de escova de dentes tua, nada de pasta, nada de nada. Voltei para o quarto, ‘nosso’ em tempos. Agora apenas meu, silencioso e arrumado. Ao andar pela casa, nada do teu perfume, não ouvia aquelas músicas que era costume tu ouvires logo pela manhã. Não se ouvia nenhum barulho no exterior da casa, ainda era cedo, seis da manhã, talvez. Eu senti-me desconfortável com aquela situação. Não tinha nem uma recordação tua. Na sala já não estavam aquelas tuas garrafas de Martini, vinho, etc. Já não havia fotografias nossas espalhadas pela casa. Os teus CD’s e DVD’s haviam desaparecido. No escritório já não estavam os teus papéis espalhados pela secretária, nem o maço de tabaco que normalmente ali deixavas esquecido. No armário já não estavam as tuas camisolas. Finalmente, eu percebi! Percebi que tinhas sido tu quem tirou tudo dali. Tiraste-me tudo, tudo o que me aconchegava quando em casa não estavas. Decidiste partir, sem nada me dizer. Passei noites sem dormir, sem sentir os teus pés na cama, a aquecerem os meus. Sem os abraços que me davas antes de adormecer. Já nada naquela casa era o mesmo. Mas eu deixei de ser tão sensível, tão frágil. Eu decidi mudar. Pôr, de vez, um ponto final naquele passado que ainda me atormentava. A solução que eu encontrei, foi sair dali, mudar de vida, mudar a minha vida. Fui para bem longe daquele sítio, para que nada, me fizesse lembrar de ti. Hoje, eu digo que não sinto saudades tuas, que aprendi a viver com a tua ausência. Porque a vida continua.

P.s. – Eu não esqueci, apenas aprendi a lidar com o facto de tu teres partido e eu ter ficado.

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